A palavra é de origem grega splēn. Na língua inglesa significa baço. A conexão entre spleen (o baço) e a melancolia é oriunda da medicina grega e a teoria dos humores. Um dos humores era a bílis negra segregada pelo baço e associada com a melancolia. Em oposição a esse conceito, o Talmud aponta o baço como o "órgão da risada", ainda que não esteja descartada uma anterior relação com a medicina dos humores sobre esse órgão.
Em alemão, a palavra "spleen", representa a alguém sempre irritadiço. O baço, ao contrário, é chamado de "Milz" (parecido a "Milte", palavra que se dava ao baço em inglês antigo). No século XIX dizia-se que as mulheres mal-humoradas estavam afetados pelo spleen. Em inglês moderno "to vent one's spleen" significa "...expressar sua ira".
Na China, o spleen, representa um dos fundamentos do temperamento e se supõe que influa o poder da vontade. Assim como "venting one's spleen" (expressar a ira), "发脾气" é uma expressão utlilizada em chinês.
domingo, 31 de maio de 2009
Spleen
Publicada por Ricardo de Magalhães à(s) domingo, maio 31, 2009
sábado, 30 de maio de 2009
Cruzumana
Acendem-se
as mulheres sobre as tarolas aflitas
da seara as mais antigas
as que vão à janela
despedem-se antes do beijo
assentando o láudano nas cesuras infectas.
entreolham-se.
e passam a mão nas cãs e nas estrigas obsoletas
da madrugada.
e arqueiam o corpo sobre o corpo
obsoleto da aluvião.
correram muito muitas eras dando à luz na noite.
depois
depois de regressadas
às velhas casas
atearam o pânico nas leiras
e o riso no corpo.
e acreditaram ser possível rir infinitamente.
agora não.
estão como entontecidas estranhas mães de dezembro
lambendo nos pés a febre.
Pedro Gil-Pedro
Publicada por Ricardo de Magalhães à(s) sábado, maio 30, 2009
sexta-feira, 29 de maio de 2009
Russian Red
Só a carne, combustível alado, acasala.
Indaguem – Poderás tu manter a voz da geografia e orografia prometidas, tua emissão sacral?
Eu falo da devassidão da pérola pelo lado de fora. Quão pura é a sua precisão de pele, o sul, o oriente.
Toda a vulva é fechada como a expansão da noite.
Maria Velho da Costa
Publicada por Ricardo de Magalhães à(s) sexta-feira, maio 29, 2009
quinta-feira, 28 de maio de 2009
Virgínia Rodrigues
O sabor do café e o cigarro,
o pausado passeio cada tarde,
o cheiro da terra quando chove,
a grata conversa com um amigo
e uma rara página gostada
são teu amor à vida, os teus sentidos.
Aprofundam-se as feridas com o tempo
embora ele mesmo esconda as cicatrizes.
Passou a juventude e o que tens
chamam-lhe os néscios maturidade.
Fernando Ortiz
Publicada por Ricardo de Magalhães à(s) quinta-feira, maio 28, 2009
quarta-feira, 27 de maio de 2009
Kimya Dawson
nunca sabotei a vontade de
deus, e vejo ainda
o inferno, um qualquer
poema mais difícil de coleccionar
valter hugo mãe
Publicada por Ricardo de Magalhães à(s) quarta-feira, maio 27, 2009
segunda-feira, 25 de maio de 2009
The Dodos
Eu queria descrever a mais simples das emoções
alegria ou tristeza
mas não como outros o fazem
invocando raios de sol ou chuva
Eu queria descrever a luz
que cresce dentro de mim
mas que não se assemelha
a nenhuma estrela
porque não é tão brilhante
nem tão pura
e é incerta.
Eu queria descrever a coragem
sem arrastar um leão de pó atrás de mim
e a ansiedade
sem agitar um copo cheio de água
dito de outro modo
daria todas as metáforas
em troca de uma só palavra
do meu peito arrancaria uma costela
por uma só palavra
sufocada dentro das fronteiras
da minha pele
mas aparentemente isso não é possível
e para dizer apenas – eu amo
ando às voltas como um louco
apanhando pássaros e pássaros com as mãos
e a minha ternura
que afinal não é feita de água
pergunta à água por um rosto
e a raiva
diferente do fogo
pede ao fogo
uma língua eloquente
e nada é nítido
e nada é inteiramente nítido
em mim
cavalheiro de cabelos brancos
separação de uma vez para sempre
e disse
isto está no poema
isto é o objecto
caímos no sono
com uma mão debaixo da cabeça
e a outra numa pilha de planetas
os nossos pés abandonam-nos
e provam a terra
com as suas raízes subtis
que despedaçamos dolorosamente
na manhã seguinte
Zbigniew Herbert
Publicada por Ricardo de Magalhães à(s) segunda-feira, maio 25, 2009
domingo, 24 de maio de 2009
The Gossip
Com o consentimento da neve
caminharei devagar.
Alguém haverá à espera junto do fogo
e eu, que estarei cega pelo frio,
farei paragens breves,
sacudirei o guarda-chuva e começarei de novo.
O único segredo é não sentir-se
imensamente cheio de verdades.
Não aceitar nunca os convites
que o nevoeiro
sugere ao fazer ninho com os seus disfarces
de paisagem feliz, de grandes sonhos.
Alguém haverá que diga, perdeu-se,
alguém sairá a procurar-me,
e levará o calor de uma garrafa
onde poderei mandar-te esta mensagem.
Ana Merino
Publicada por Ricardo de Magalhães à(s) domingo, maio 24, 2009
