How oddly situated a man is apt to find himself at the age of thirty-eight! His youth belongs to the distant past. Yet the period of memory beginning with the end of youth and extending to the present has left him not a single vivid impression. And therefore he persists in feeling that nothing more than a fragile barrier separates him from his youth. He is forever hearing with the utmost clarity the sounds of this neighboring domain, but there is no way to penetrate the barrier.”
Yukio Mishima
sexta-feira, 10 de julho de 2009
否[i-na]
Publicada por Ricardo de Magalhães à(s) sexta-feira, julho 10, 2009
quinta-feira, 9 de julho de 2009
Cakehole Presley
There is a place where the sidewalk ends
And before the street begins,
And there the grass grows soft and white,
And there the sun burns crimson bright,
And there the moon-bird rests from his flight
To cool in the peppermint wind.
Let us leave this place where the smoke blows black
And the dark street winds and bends.
Past the pits where the asphalt flowers grow
We shall walk with a walk that is measured and slow,
And watch where the chalk-white arrows go
To the place where the sidewalk ends.
Yes we'll walk with a walk that is measured and slow,
And we'll go where the chalk-white arrows go,
For the children, they mark, and the children, they know
The place where the sidewalk ends.
Shel Silverstein
Publicada por Ricardo de Magalhães à(s) quinta-feira, julho 09, 2009
terça-feira, 7 de julho de 2009
O Maquinista
Quando,
à hora do Jazz,
a minha cabeça rola
pelo tecto pintado do café,
a parede em frente é uma visão de escola
onde um menino de bibe e gola
sonha com aquilo que não é.
E até os criados
têm ares purificados
como ascetas dum branco ritual.
E os mármores das mesas,
com desenhos obscenos,
surdinam vagas rezas...
E as garrafas dos álcoois e absintos,
em garbos áticos,
oferendam viáticos...
E há toalhas brancas e há velas acesas!
E ela vem sempre
(só a cabeça dela,
que o corpo
perdeu-o, porventura,
nalgum escuro quarto de aluguer).
Ela vem sempre,
como naquele dia,
serena e amavia,
única e excepcional.
O pianista
comeu os dentes do piano
e canta, de pernas para o ar,
uma canção azul.
O violinista adormeceu em pé numa cadeira
e o violino dá som sem ninguém lhe tocar.
E ela vem sempre
como naquela hora
estranha, delicada
e debruada a encanto.
Pura como a água, suave como um manto.
O dia é Dia Santo...
Saul Dias
Publicada por Ricardo de Magalhães à(s) terça-feira, julho 07, 2009
sábado, 4 de julho de 2009
The Flaming Lips
Num Jardim morto, aqui...
Jazem feias massas de cores,
Imobilizado permaneço enfim,
Ó Jardim onde passeavam amores...
Aqui, onde o frio me abraça,
Do tempo ainda banhado em dureza,
Mas ali no banco vazio sem graça,
Onde a paixão mostrava a sua raça
Sob o olhar belo desta natureza...
Neste jardim agora o Inverno é triste,
Quase a nascer está de certeza,
Sonho do amor que não existe...
Este jardim em mim agora,
Causa estranheza...
Artur Rebelo
Publicada por Ricardo de Magalhães à(s) sábado, julho 04, 2009
sexta-feira, 3 de julho de 2009
of Montreal
Às vezes paro à porta
com o olhar perdido e habituado ao silêncio,
há mais desertos ainda, dias
e morte noutros olhos.
Com a garganta habituada à sede,
com os pés às feridas,
saio para a rua
e já não há umbrais.
Ando um dia, passo outro,
acabo uma semana de vidros partidos
e tosse mais velha.
Hoje parece que sempre
choveu sobre mim,
e não me importa
se a chuva já não se parece ao esquecimento
e apenas deixa charcos, paredes mais sujas
e fuligem e tristeza nos olhos de rímel,
ainda tenho sede
e não me importa
voltar às coisas más e aos velhos tugúrios
à procura de algo que não encontro nem recordo,
que costuma principiar por um encontro,
talvez por outra palavra
e corre o perigo de crispar-se
até à forma da folha da faca.
Às vezes tudo é tão estranho
que não basta continuar a andar.
Alfonso Barrocal
Publicada por Ricardo de Magalhães à(s) sexta-feira, julho 03, 2009
quinta-feira, 2 de julho de 2009
Au Revoir Simone
hoje chove muito, muito,
dir-se-ia que estão a lavar o mundo.
o meu vizinho do lado vê a chuva
e pensa em escrever uma carta de amor /
uma carta à mulher com quem vive
e lhe faz a comida e lava a roupa e faz amor com ele
e se parece com a sua sombra /
o meu vizinho nunca diz palavras de amor à mulher /
entra em casa pela janela e não pela porta /
por uma porta entra-se em muitos sítios /
no trabalho, no quartel, na prisão,
em todos os edifícios do mundo /
mas não no mundo /
nem numa mulher / nem na alma /
quer dizer / nessa caixa ou nave ou chuva que chamamos assim /
como hoje / que chove muito /
e me custa escrever a palavra amor /
porque o amor é uma coisa e a palavra amor é outra coisa /
e só a alma sabe onde as duas se encontram /
e quando / e como /
mas que pode a alma explicar /
por isso o meu vizinho tem tempestades na boca /
palavras que naufragam /
palavras que não sabem que há sol porque nascem e morrem na
mesma noite em que ele amou /
e deixam cartas no pensamento que ele nunca escreverá /
como o silêncio que existe entre duas rosas /
ou como eu / que escrevo palavras para regressar
ao meu vizinho que vê a chuva /
e à chuva /
ao meu coração desterrado /
Juan Gelman
Publicada por Ricardo de Magalhães à(s) quinta-feira, julho 02, 2009
quarta-feira, 1 de julho de 2009
Hallelujah The Hills
Sei que estou só e gelo entre as folhagens
Nenhuma gruta me pode proteger
Como um laço deslaça-se o meu ser
E nos meus olhos morrem as paisagens.
Desligo da minha alma a melodia
Que inventei no ar. Tombo das imagens
Como um pássaro morto das folhagens
Tombando se desfaz na terra fria.
Sophia de Mello Breyner
Publicada por Ricardo de Magalhães à(s) quarta-feira, julho 01, 2009
